quinta-feira, 11 de julho de 2013

[OFF] Justo ou ilegal? O regulamento seletivo da Conmebol!

Coluna de Felipe Lobo, do Trivela:

"... O regulamento, no item VI, artigo 9.4, diz que a capacidade mínima para a final é de 40 mil pessoas. Ao que parece, o item será ignorado para que os dois times joguem em suas casas habituais. Ou, ao menos, haverá um acordo para que os dois times tenham permissão para jogar nos dois estádios, que são a casa de cada um deles. É justo, mas é ilegal. O que fazer? Não seria uma novidade a Conmebol burlar o regulamento que ela própria criou. Infelizmente, essa é uma prática comum. Regulamento tornou-se um acessório, algo para referência, não para cumprimento. Alguns já usavam exatamente esse argumento para dizer que o jogo deveria ser no Independência “pelo bem do futebol”.  Só que o bem do futebol é termos regulamentos cumpridos. Não adianta dizer que o regulamento é ruim, é ridículo, é isso ou aquilo. Os times aceitaram e assinaram. Não faz muito sentido passar por cima. E isso não é ser legalista, é ser justo...

... Em 2002, ano do último título do Olimpia, o São Caetano disputou a final no Pacaembu, porque o estádio Anacleto Campanella não tinha as chamadas condições mínimas para abrigar a decisão, já que não comporta os 40 mil lugares necessários. Em 2005, o Atlético Paranaense não pode mandar seu jogo na Arena da Baixada contra o São Paulo pelo mesmo motivo. Em ambos os casos, as justificativas foram que era um item do regulamento e, portanto, deveria ser cumprido. É preciso que o regulamento da Libertadores seja rediscutido...

... Há muito que precisa ser feito na Libertadores. Uma delas é justamente cumprir o regulamento. Atlético Mineiro e Olimpia podem mandar seus jogos até a decisão no Independência e no Defensores del Chaco? Acho até que isso é justo. Deveria poder. Só que o regulamento não permite. Então que isso seja colocado no regulamento essa mudança, não mudado apenas em função de quem chegar à final. Porque permitir que só alguns burlem o regulamento é mostrar que o regulamento só serve para alguns. Parece lembrar uma frase famosa, de origem controversa, mas atribuída a Benedito Valadares, jornalista e político, que foi governador, olha só, de Minas Gerais: “Aos amigos, tudo. Aos inimigos, a lei”.  A nossa história está embebida com essa frase. Quando não gostamos de um regulamento, o consideramos injusto, prejudicial ou algo assim, em geral não lutamos para mudá-lo. Apenas damos um jeito de burlá-lo. Uma espécie de justiçamento. Se a lei não é justa, nós fazemos a justiça por outros meios...

... O caso desta final de Libertadores é evidente nisso: parece claro e límpido que o melhor é que os dois times possam mandar seus jogos no seu estádios. Até para o espetáculo parece bom. O bom senso diz isso. Então, o que fazer? Passar por cima do regulamento que outras vezes impediu alguns times de jogarem em seus estádios? Queremos que a lei só seja para quem não tem poder político? É uma pergunta que temos que pensar em responder. E não pensar só no casuísmo...."

Fonte: Trivela, coluna completa aqui!

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Vale lembrar que, em 2005, o Atlético construiu arquibancadas provisórias, elevando a capacidade da Arena da Baixada para além do limite necessário, e mesmo assim, as forças políticas "ocultas" fizeram com que o jogo fosse para o Beira-Rio. Relembre o caso: www.blogdofuracao.com/2010/07/verdade-sobre-libertadores-2005.html

Arquibancadas provisórias da Arena, em 2005

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