segunda-feira, 31 de maio de 2010

Coluna de Paulo Perussolo, da Furacao.com

Previsível, de Paulo Perussolo:




"A cidade é São Paulo, véspera da estréia do Campeonato Brasileiro, torcedores do Corinthians lamentam a eliminação na Libertadores e falam sobre o Atlético, o primeiro adversário no nacional. Um deles fala: “pelo menos jogamos contra o Atlético, dá pra começar bem o campeonato”. Todos concordam. Corinthians 2 X 1 Atlético.


Véspera do jogo entre Atlético e Guarani, torcedores do Bugre tomam uma gelada em Campinas, um deles fala: “E amanhã, galera? Difícil é não perder lá no Caldeirão do rubro-negro paranaense”, outro retruca: “fica tranqüilo cara, isso era antes, na época em que precisávamos do Wilson de Souza Mendonça pra pontuar na Baixada, hoje não faz muita diferença o estádio, o time é fraco.” Os demais concordam com este. Atlético 2 X 2 Guarani.


Capital de Minas Gerais, rapaziada come um pão de queijo entusiasmada com o próximo adversário do Galo, o xará paranaense. “Tardelli vai fazer o dele, não tem erro, a zaga do Furacão é uma peneira”, diz o mineiro. Galo 3 X 1 Furacão.


“Vamos pra cima pessoal, a torcida do Atlético Paranaense fica impaciente rápido, faz anos que só sabem sofrer com o time, então se eles não fizerem um gol logo passarão a vaiar, o que vai nos ajudar”, pode ser que tenha dito Geninho, técnico do Atlético Goianiense na preleção. Furacão 2 X 1 Atlético Goianiense, com destaque para o goleiro Neto.


O gaúcho assa uma costela no chão enquanto conversa com o filho sobre o próximo adversário do Internacional no Brasileirão, o Atlético Paranaense. O pequeno colorado reclama para o pai: “acho que não vai dar pro Inter, nem treinador temos.” O pai trata de acalmar o filho: “Mas nem eles têm técnico, a diferença é que nós temos time, eles não.” Pelo jeito o colorado tinha razão, o Atlético viajou para Porto Alegre com apenas dois atacantes na delegação e foi goleado. Internacional 4 X 1 brisa.


A partir de 2006 o Furacão virou um verdadeiro saco de pancadas, um time absolutamente previsível e que não bota medo em ninguém. Nem os clubes de menor porte temem o Atlético, o Caldeirão já não ferve mais. Previsível é que o Rubro-Negro lutará para não cair, previsível é a jogada de bola parada (bem manjada pelos adversários), previsível é a prática da experiência no comando técnico, previsível é a contratação de jogadores sem qualidade, previsível é o discurso do presidente a cada resultado negativo, e todos vocês acharam previsível o conteúdo dessa coluna ao lerem o seu título. Triste previsibilidade."

Sem mais.

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